Backup local e na nuvem automatizado – Estudo de caso


Vou explicar neste post – da melhor forma que encontrei – a estrutura e esquema que uso pessoalmente para backup.
Não é a forma mais barata, não é a forma mais fácil, nem é a forma mais segura, mas após testar vários métodos, acredito que seja um sistema bem balanceado e acessível, que dá pra recomendar pra várias situações.
NASSetupExplainer

Os dois pontos principais aqui foram: não ficar atrelado a mensalidades, e combinar redundância local com armazenamento na nuvem gratuito.
Pessoal que já tem uma certa familiaridade com sistemas de backup talvez entenda só com o gráfico acima, mas vou explicar em detalhes no artigo.

Aviso: não sou especialista nem profissional específico desta complicada área de backup e segurança… existem outras soluções, e é possível que para você, esta não seja a ideal. Por isso estou colocando a solução que encontrei pro meu caso específico. Use sempre o senso crítico! Ah, e não estou sendo patrocinado ou pago por nenhuma empresa que estou citando.

O elemento principal necessário aqui é um NAS da Synology.
O meu foi comprado na Amazon, com dois HDDs de 3Tb inclusos, modelo DS214play.
Infelizmente não sei dizer se é possível fazer o mesmo com outras marcas pois os sistemas operacionais são diferentes. Mas farei algumas recomendações alternativas após explicar como o meu sistema funciona.

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Com o NAS instalado na rede local – recomendo que seja instalado em outro cômodo da casa/apartamento, ligado via Ethernet (rede com fio) se possível – e configurações iniciais feitas, é preciso instalar dois aplicativos: Synology Cloud Station e Synology Cloud Sync.

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Synology Cloud Station – este aplicativo vai montar um sistema de armazenamento e sincronização que funciona de forma semelhante aos sistemas de armazenamento na nuvem mais conhecidos (Dropbox, Google Drive, OneDrive, iCloud, etc), só que localmente.
O próprio aplicativo tem links para que você baixe e instale o aplicativo cliente nos dispositivos que desejar (no meu caso, o PC, smartphone e tablet).

Para mais informações de como instalar e configurar o aplicativo, confira:

Na primeira vez que for configurar tanto o aplicativo no NAS quanto os aplicativos clientes, você vai escolher uma pasta para sincronização (ou o aplicativo vai escolher um local pra você). Este é o ponto principal – o serviço é contido dentro da pasta. Tudo que estiver dentro desta pasta será sincronizado com o NAS.

Repare no esquema (na primeira imagem desse post) a pasta chamada CloudStation (nome padrão) para o serviço.

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Synology Cloud Sync – o nome é parecido e pode confundir, mas este aplicativo funciona somente dentro do NAS, e serve para sincronizar o NAS com serviços de armazenamento na nuvem. Pense como se fosse o aplicativo do Dropbox, mas que centraliza vários serviços e contas em uma coisa só.
A imagem acima mostra alguns dos serviços que ele atualmente suporta.

Para utilizar, você primeiro precisa criar contas em cada um dos serviços. Eu tenho contas gratuitas em vários deles.

Com as contas feitas e senhas anotadas, é preciso entrar pelo sistema do NAS para conectar as contas uma a uma. O aplicativo faz conexão através da API de cada serviço, mas você não precisa se preocupar com isso… apenas que vai precisar dar permissão específica para que a coisa funcione.

Para mais informações de como instalar e configurar o aplicativo, confira:

Aqui vem o “truque” que uso para que o sistema sincronize tudo entre dispositivos, NAS e nuvem automaticamente: Na hora de cadastrar cada conta (Dropbox, Google Drive, hubiC, etc), crie a pasta de cada um destes serviços DENTRO da pasta do Cloud Storage (no meu caso, a pasta CloudStation) no NAS.

Na prática, isso força que todas as pastas relacionadas a serviços de armazenamento na nuvem sejam sincronizadas na rede local através do Synology Cloud Storage, relegando o trabalho de conectar e sincronizar com os serviços na nuvem para o NAS, através do Synology Cloud Sync. Com isso, você também não precisa instalar cada um dos serviços (Dropbox, Google Drive, etc) no seu PC, já que toda essa parte se torna de responsabilidade do NAS.

Exemplo: você copia novas fotos dentro da pasta CloudStation\Dropbox no seu PC. O aplicativo do Cloud Station no PC sincroniza com o NAS copiando as fotos pra lá. O NAS por sua vez manda as fotos para os servidores do Dropbox através do Cloud Sync.

Com isso, ficam somados a funcionalidade do Synology Cloud Station com a do Synology Cloud Sync, com armazenamento em seus dispositivos locais, NAS e nuvem automaticamente.

Com esse sistema rodando, o que eu fiz foi montar uma tabela com o tanto de espaço que tenho em cada um dos serviços de armazenamento na nuvem, mais algumas características, pra decidir o que devo colocar em cada um deles.

Exemplo: no Dropbox tenho somente 4Gb de espaço, então reservei para documentos de texto, uma seleção de fotos finalizadas em JPG, e arquivos pequenos. No OneDrive tenho 30Gb de espaço, então estou jogando pastas de projeto em vídeo com tudo dentro. O Google Drive tem somente 5Gb de espaço, mas agora está conectado com Google Photos que não tem limite, então todas as fotos suportadas vão pra lá.

Um passo a frente na automatização: configure seus editores de foto, vídeo e/ou texto para usar estas pastas como padrão. Assim, tudo que for feito vai ser automaticamente sincronizado.

Capture

Cenário ainda mais avançado: o Synology Cloud Sync permite que você escolha os tipos de arquivos que o serviço pode sincronizar. Então se seu espaço é limitado, mas você gostaria de sincronizar pelo menos alguns tipos de arquivo importantes em um dado serviço, é possível fazer esta filtragem.

Exemplo: você tem uma pasta de projeto com uma porção de arquivos crús, mas quer somente sincronizar arquivos de projeto ou jpgs e mp4s, é possível fazer a filtragem.

Necessidades para mais espaço na nuvem: basta pagar pelos serviços, ou abrir mais contas.

Synology-step2

Casos especiais: Bittorrent Sync

No meu tablet, eu tenho uma pasta temporária onde preciso que tudo que for jogado lá dentro seja armazenado no NAS, mas com sincronização unidirecional. Ou seja, tudo que eu jogo na pasta também é gravado no NAS, mas se eu apagar algum arquivo no tablet, ele não é apagado no NAS, e também não é re-copiado para o tablet.

Exemplo: tenho uma pasta no tablet que jogo uma coleção de vídeos, fotos, arte, música e efeitos sonoros para uma edição. Mas no tablet, me interessa que, após uso, fique somente o arquivo final, pois o espaço é limitado. O problema é que apesar do espaço limitado e a necessidade de apagar tudo, preciso ter estes arquivos originais em backup – para possíveis futuras edições e resgates.
Por isso a necessidade de ter tudo gravado no NAS, mas não necessariamente no tablet.

É assim que normalmente funciona um serviço de backup normal, sem a sincronização bi-direcional dos serviços de armazenamento na nuvem. Porém, com esta solução, as copias serão feitas toda vez que um arquivo for adicionado. Em contrapartida, a maioria dos serviços de backup vão pedir um intervalo de tempo para serem feitos (ex: uma vez por dia, uma vez por semana).

Este mesmo esquema pode ser usado para fazer backup de imagens e vídeos do smartphone localmente, quando não se quer usar serviços na nuvem, seja lá o motivo.

Para ambos os casos, o aplicativo que encontrei foi o BitTorrent Sync – disponível para NAS da Synology, Windows, OSx, Android, iOS, e vários outros sistemas.
Ele funciona de forma semelhante ao Cloud Station, com uma diferença chave: o aplicativo permite que um lado da conexão seja “Somente leitura”. Ou seja, pode ler e copiar arquivos, mas não pode apagar ou alterar.

A configuração toda do aplicativo renderia outro artigo completo, mas para não deixar a informação abandonada, fica um vídeo oficial:

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Expansão da redundância: outro NAS, Amazon Glacier, HiDrive, Elephant Drive

Vamos supor que você exija um nível a mais de segurança com backup na nuvem ou em outros locais físicos (proteção contra catástrofes, desastres, etc). É possível conectar o seu NAS a um outro NAS que esteja em outro endereço, e existem aplicativos para serviços específicos de backup total do conteúdo do seu NAS na nuvem como os citados acima. O Amazon Glacier, por exemplo, tem custo reduzido cobrado de forma diferencial (por acesso e transferência). Não sei dizer mais pois não uso e não preciso.

Dica extra: Área de trabalho

Este é um caso específico meu, mas vale compartilhar.

Eu tenho um PC e um tablet rodando Windows 10 que são usados somente por mim. Como muitos, tenho o costume de jogar tudo quanto é tipo de arquivo na Área de Trabalho, e só organizo tudo quando a bagunça está saindo fora dos limites.

Então pensei se não havia um jeito de não só fazer backup desses arquivos, como também sincronizá-los entre meu PC e meu tablet pra não ter que me preocupar com duas Áreas de trabalho desorganizadas o tempo todo.

O método é bastante simples, mas muitos não sabem que dá pra fazer isso.

desktop

Basta abrir o Arquivos de Programas, clicar com o botão direito do mouse em cima da pasta da Área de Trabalho, Propriedades, aba “Localização”, e redirecionar o endereço para uma pasta (crie uma nova) que esteja dentro da pasta do Cloud Station. Fazendo o mesmo para todos os dispositivos que você precisar, na prática você acaba com uma Área de Trabalho comum entre seus dispositivos. Claro, isso se você tiver vários dispositivos com o mesmo sistema operacional.

Se você não tiver um NAS da Synology, veja que também dá pra fazer isso com Bittorrent Sync, ou serviços de nuvem como Dropbox, Google Drive, etc – só precisando observar os limites de espaço.

Creio que essa estratégia funciona com Windows 7, 8 e 10. Outros sistemas já não sei dizer.

Acredito que seja isso. Algumas observações: o NAS da Synology pode fazer tudo isso, mas essa é apenas uma parcela muito pequena do que é possível. Apesar da definição de NAS ser somente um dispositivo de armazenamento conectado a rede, dá pra dizer que o NAS da Synology é praticamente um mini servidor. Você pode configurá-lo para ser acessado pela Internet, pode hospedar páginas, criar um servidor de e-mail, gerenciar projetos, e fazer mais uma porção de coisas, contanto que seu provedor de acesso e seu roteador permita. Ele é caro, mas com bons motivos pra isso, e facilidade de uso é apenas um dos pontos. Só que a facilidade de uso sozinha já justifica o preço, mesmo que você não vá fazer uso de outros recursos.

Curioso pra saber o que mais meu NAS pode fazer? (é um modelo para casas e pequenas empresas.. tem modelos mais baratos, e também modelos que foram projetados para grandes empresas que são MUITO mais caros que o meu) Dê uma olhada na página oficial… fica bem mais fácil entender do que eu tentando explicar: https://www.synology.com/en-global/products/DS214play

Sobre outros dispositivos: eu já pessoalmente experimentei usar um computador velho com os sistemas FreeNAS e Amahi. Ambos gratuitos e bons, porém bem mais complexos de instalar, configurar e fazer manutenção. Para ambos eu sei que existe um aplicativo gratuito que faz o mesmo que o Synology Cloud Station, chamado OwnDrive. Acho que o BitTorrent Sync também está disponível para ambos. Já para substituir o Synology Cloud Sync vai depender de cada sistema ter aplicativo específico para cada serviço de armazenamento na nuvem. Em poucas palavras: o processo é BEM mais complicado, e pra mim não valeu a pena.
Mas creio que pode ser uma alternativa mais barata (você ainda vai ter que pagar os HDDs e ter um computador velho a disposição), para quem entende bastante e está disposto a lidar com as configurações. No caso, FreeNAS tem base em FreeBSD e Amahi em Linux. Sem saber lidar com estes sistemas, eu não recomendo.


Todas as imagens e vídeos dentro deste post foram retirados ou das páginas oficiais, ou de press kits fornecidos pelas empresas, ou capturados localmente.

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